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31 de maio de 2017

O DEVA DE UM VALE EM COTSWOLD - RELATO POR GEOFFREY HODSON




4 de agosto de 1925


Este vale, que tem cerca de 3,5 quilômetros de comprimento e 1,6 quilômetros de largura, está a cargo de um deva da natureza que parece ter vindo para cá a fim de adiantar a evolução da vida do vale. Embora seja ele mesmo um espírito da natureza e, portanto, estaria interessado primeiramente na evolução dos reinos elemental e vegetal, ele também tem um grande interesse nos habitantes humanos do vale, e quando pode trabalha também por eles.

No entardecer do dia seguinte à nossa chegada, subimos as colinas que se erguem no fim do vale até um ponto de onde podíamos abranger com o olhar os campos, casas e florestas de que é composto. Enquanto estávamos sentados contemplando a pacífica e formosa cena, o deva mostrou-se; pairando no ar sobre o topo das árvores diante de nós, deu-nos as boas- vindas ao vale.

Quando visto pela primeira vez, ele parecia ter mais de três metros de altura, e sua aura se irradiava de seu corpo até uma distância de cerca de 90 metros em toda sua volta. Depois de nossa conversa, contudo, ele a estendeu ou espichou até que atingisse toda a largura do vale, incluindo o pequeno regato que corria através dele; então ele se moveu lentamente vale abaixo, tocando cada coisa viva em seu interior, dando a cada uma um pouco de sua força magnificentemente vital.

Sua face é nobre e bela, seus olhos são deslumbrantemente brilhantes, e se parecem mais como dois centros de força do que olhos, pois não são usados do mesmo modo que os nossos, para a expressão de pensamentos e emoções. Expressou um benevolente cumprimento de boas-vindas, não só através do sorriso que abriu seus lábios, mas através de todo o seu ser: ele irradiou suas boas-vindas sobre nós, assim como ele dissemina seu poder purificador e estimulante sobre todo o vale. As cores de sua aura estão brilhante e constantemente mudando, à medida que fluem em ondas e vórtices para fora da forma central. O esquema de cores se altera de minuto a minuto; agora a cor predominante pode ser um profundo azul real com vermelho e amarelo dourado e verde mesclando-se através dele e nele, fazendo remoinhos e ondas de cores brilhantes à medida que fluem em corrente contínua; agora mudam completamente – há um fundo de rosa pálido, com um leve azul-do-nilo, azul celeste e o mais pálido dos amarelos. 



Ocasionalmente, onde os poderosos ombros das asas são delineados em fogo dourado, ele se parece como um grande pássaro com as bordas de suas asas incendiadas pelo sol poente. Há um contínuo jogo de forças, como uma miniatura de aurora boreal, subindo de sua cabeça até alto no ar, e no meio da cabeça há um resplandecente centro de luz, que é a sede da consciência dentro da forma. Enquanto o descrevo ele subitamente sobe para o céu, onde paira tão alto a ponto de ser quase invisível. Mesmo daquela altura, contudo, ele mantém o vale dentro de sua consciência.
Seu caráter é uma combinação desusada do vívido senso dévico de liberdade de todas as limitações com a capacidade humana para a ternura, profundo interesse pelos outros, e amor.

Sinto que seguramente todo o nascimento e morte dentro do vale lhe devam ser conhecidos, e que a dor, que acompanha ambos, é aliviada por ele até o máximo de seu poder; pois vejo formas-pensamento em sua aura que o mostram acolhendo em sua radiância brilhante as almas dos que recém morreram, protegendo-os, e guiando-os a um lugar de paz; vejo que ele observa as crianças brincando, e o velho camponês descansando; de fato, ele é o anjo guardião do vale, e felizes os que vivem sob seu cuidado.

As hostes dos espíritos da natureza menores o obedecem, e vejo as criaturas da terra e das árvores e as fadas menores respondendo ao seu toque quando seu poder os toca; os elfos e brownies sentem uma exaltação súbita, cuja origem não podem compreender completamente, embora a reconheçam como sendo uma característica constante de suas vidas; as fadas sentem uma sensação aumentada de ludicidade e alegria quando ele influi nelas com sua vida radiante. Toda a Natureza parece ser estimulada por sua presença aqui. Sua influência, que dá uma certa qualidade, uma característica local, uma atmosfera especial, perceptível nitidamente em toda a extensão do vale, tem um encanto que beira o deslumbramento; isso deve igualmente afetar todos os seres humanos que vivem aqui durante algum tempo, particularmente aqueles que nascem e vivem dentro da contínua ação de sua vida áurica, e seguramente deve haver vezes em que sentem o espírito do deva sobre eles.

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Cotswold é um distrito de administração local em Gloucestershire, Inglaterra. O seu nome tem origem na grande região de Cotswolds. A maior cidade é Cirencester. Wikipédia.


Fonte: Livro O Reino Das Fadas – Geoffrey Hodson - Primeira Edição em 1927 - The Theosophical Publishing House - (Londres).

Imagens: Gilbert Williams - Visionary Art.


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29 de maio de 2017

UM DEVA ESTIMULANDO A EVOLUÇÃO DE UM GNOMO



Letchworth (Inglaterra)


3 de janeiro de 1925


Durante os últimos seis meses estive consciente de que um membro da família dos gnomos, que havia conseguido obter uma medida de autoconsciência maior do que alguns de seus irmãos, tem desenvolvido um crescente interesse em nós. No verão ele geralmente aparecia assim que saíamos da casa e entrávamos no jardim, correndo do pomar através do gramado, e atraindo minha atenção com lampejos etéricos. Demos pouca atenção a ele na época, mas desde que chegou o inverno ele passou a entrar na casa. Durante nossos serões em torno do fogo, ele é frequentemente visto brincando pela sala, passando para dentro e para fora das janelas, e mostrando tanto interesse em nós como o faria, digamos, uma ave doméstica ou um esquilo.

Ele tem exatamente cinquenta (50) centímetros de altura. Fui capaz de medi-lo porque sua cabeça atinge a ponta de certo ornamento nas pernas do piano. Sua pele é muito escura, e seu corpo de uma textura esponjosa, antes como o solo que foi congelado e degelou. No jardim ele costumava correr sem nenhuma roupa, embora ocasionalmente colorisse seu corpo com um verde escuro. Esta noite, contudo, noto que ele fez uma nítida tentativa de elaborar um traje, mas, curiosamente, o efeito não é produzido pelo acréscimo de vestes materializadas, mas por uma mudança na própria superfície de seu corpo, exceto no caso de sua imitação de um colarinho branco. Isto, obviamente, é um acréscimo; mais ainda, é algo a que ele parece dar considerável importância, pois quando ele se dissipa, como continuamente ocorre, ele o refaz assim que percebe sua ausência; de fato, ele não permite que se desvaneça por completo, e por ora sua contínua rematerialização ocupa uma boa parte de seu tempo. 

As linhas e margens de seu casaco e colete, este último completo, com botões, aparecem na textura do que corresponde à sua pele, e ele consegue uma boa medida de permanência nos contornos. Com as calças ele ainda não teve muito sucesso, e até onde posso observar ele não fez qualquer ensaio de algum tipo de calçado. Seu pescoço e braços são finos, e longos demais para o nosso senso de proporção, e sua cabeça e membros são tão frouxos e esponjosos que neste aspecto ele me lembra uma boneca de trapos; mesmo assim ele consegue em certa medida enrijecê-los à vontade, como tem estado fazendo ao executar uma espécie de dança sacolejante, através da qual dá expressão a seus sentimentos de prazer por nosso retorno de uma ausência de dez dias. Os movimentos de suas danças são uma oscilação do corpo de um lado para outro, as pernas sendo mantidas juntas e depois curvando-se para fora, primeiro para a direita e então para a esquerda, os braços ao mesmo tempo sendo erguidos acima da cabeça. Estes movimentos não provocam uma mudança de posição na sala, embora resulte num tipo de movimento vagaroso e circular.

A face é a mais desairosa, sendo quase negra, e a testa é longa e muito encurvada. Não há sobrancelhas, só pequenas órbitas e dois pequenos olhos redondos e negros como botões de sapatos, bochechas pequenas, ou antes afundadas, nariz longo e pontudo, boca larga, por meio da qual, junto com a expressão de seus olhos, ele é capaz de registrar algo de natureza semelhante a um sorriso de prazer. O queixo é pequeno e não tem forma fixa, mas varia de acordo com a expressão de sua face. Os braços terminam na aparência de um punho fechado; seus pés têm cerca de quinze (15) centímetros de comprimento, e são pontudos.

Por mais desajeitado e estúpido que esta descrição possa fazê-lo parecer, existe um pequeno espírito muito brilhante habitando aquele corpo. Embora não seja capaz de nada que se aproxime de uma verdadeira afeição, ele encontra prazer suficiente em nossa sociedade para fazê-lo esquecer de seus lugares habituais em favor do ambiente incomum do interior de uma casa. Ele é capaz de reconhecer minha esposa e a mim mesmo como distintos um do outro e de outras pessoas, e em nossa companhia ele acha um nítido prazer.

Ele não é tão sensível às vibrações de nossas auras astro-mentais como o são outras ordens de espíritos da natureza, e pode chegar bem perto de nossos corpos físicos, sentindo apenas prazer naquelas vibrações a que é capaz de responder. Depois de algum tempo ele sente um estímulo definido, e algo que corresponde no mundo dos sólidos a um ardor quente percorre seu pequeno corpo. Quando isto chega a certo ponto ele parcialmente se desmaterializa, e flutua para o jardim como se, naquele estado mais sutil, gravitasse para seu próprio mundo. Assim que o efeito passa, o que acontece em poucos minutos, ele volta e caminha pela sala completamente alheio.

Olhando dentro de sua mente – por uma extensão das faculdades que me possibilitam ver sua forma – não encontro nenhuma lembrança desta experiência, nada, de fato, além de uma vaga sensação de que é agradável estar aqui. Há um reconhecimento instintivo de que o conteúdo da sala lhe é familiar, mas sem nenhuma lembrança definida de qualquer contato prévio com ela. Ele não vê nenhum objeto como nós o fazemos. Quando no chão ele vê as pernas da mobília e das pessoas; ele não tem percepção de nenhuma parte superior ligada a elas. Não sou capaz de ver como ele nos reconhece, embora ele certamente mostre uma preferência por nós, e no verão ele frequentemente aparecia assim que púnhamos os pés fora de casa. Enquanto eu dito isto ele está bem atrás de mim, e em sua mente não há nenhum conhecimento de eu ter qualquer existência acima de meus quadris; de fato, sua concepção de mim agora parece-me ser como a de um par de calças vivo. Esta concepção o satisfaz plenamente. Se, contudo, ele me vê à distância, enxerga um pouco mais para cima, digamos até os ombros, e acima deles uma espécie de névoa brilhante. Ele tanto vê quanto sente a aura de saúde, e aprecia ficar dentro dela e receber o banho etérico.



20 de março de 1925


Depois de um intervalo de três meses ocorreu uma oportunidade de estudo adicional do gnomo. Ele tinha sido frequentemente visto na casa e no jardim, mas, à parte uma saudação e uma olhada em sua direção, nenhuma atenção especial lhe era dada. Investigando suas circunstâncias mais detidamente, descobri que ele tem sido objeto de uma experiência especial por parte do deva que parece ocupar a posição de guardião da vida elemental no jardim e no grande pomar em torno, onde muitos milhares de jovens árvores frutíferas estão crescendo. Evidentemente este deva está muito compenetrado no trabalho de estimular a evolução daqueles sob sua responsabilidade, e sua atitude é muito semelhante à de um treinador de animais ou de um jardineiro, que poderia selecionar este ou aquele animal ou planta para um tratamento especial. Ele observara que o gnomo havia se tornado amigável conosco, e decidiu tirar partido do fato.

Um resultado disto parece ser um considerável aumento na tendência imitativa natural do gnomo. Agora ele usa um colarinho branco que parece ter-se tornado permanente, e um casaco escuro, e seus membros inferiores estão perdendo sua magreza e estão começando a se assemelhar as pernas de calças. Também percebo que estas mudanças não são produzidas na maneira usual das fadas, como uma vestimenta acrescentada, mas são modificações reais do corpo etérico do gnomo.

Mais notável que todas é a mudança em seu rosto, que está se tornando nitidamente mais claro na cor e redondo no formato. De início eu pensei que um espírito da natureza inteiramente novo havia entrado na sala, mas de fato é o mesmo amiguinho, pois a natureza e forma do gnomo são facilmente detectadas “sob a pele”. Sua inteligência está nitidamente mais viva, e sua autoconfiança aumentou muito, pois ele subiu em meu joelho, embora não sem algum receio, a julgar pela expressão de sua face. Eu vejo agora que ele não faz isso por vontade própria, mas sob uma forte sugestão, quase hipnótica, do deva que está observando.

Eu estava pouco consciente fisicamente no momento em que ele subiu ao meu joelho, pois eu estava tentando contatar a mente do deva; senti então um tremor, uma frieza peculiar e um peso levíssimo em meu joelho, que atraíram minha atenção – e eis que lá estava o homenzinho. Ele não pode ver o deva, pois não possui visão astral, mas reconhece uma influência familiar, e obedece instintivamente às sugestões que a acompanham.

É evidente que em seu estado normal os gnomos são influenciados quase inteiramente pela consciência grupal, e que todas as suas atividades, na verdade todas as suas vidas, são expressões de impulsos instintivos que afetam toda a tribo. Só quando sua atenção é muito atraída para algum objeto externo, e a consciência é atraída para a forma etérica, é que existe uma semelhança de autoconsciência, e mesmo então é muito passageira. Para eles o progresso evolucionário é marcado por um gradual aumento no poder de consciência externa, na duração do tempo em que podem mantê-la, e por um aumento no grau de sua autoconsciência.



Auxiliado pelo deva, vejo que por fim chega um tempo em que o sentido de autoconsciência se torna relativamente permanente e o gnomo de todo esquece sua tribo e por conta própria empreende algum trabalho ou se compraz em diversões. Isto descreve, e explica, o fato mencionado em meu primeiro livro sobre as fadas, de que os gnomos eram encontrados solitários, bem como em grupos.

Ele diz que é possível a individualização do estágio de gnomo diretamente para as fileiras dos silfos, embora isto não seja usual, geralmente entrando em um reino elemental intermediário durante algum tempo. É difícil conceber o gnomo escuro e terrestre se tornando uma fada, mas o deva diz que não é incomum, e que, quando chega o tempo da mudança, o gnomo passa a ter mais e mais interesse em plantas, flores e árvores, gradualmente perdendo seu caráter terrestre e sua afinidade com este elemento, e assumindo as características das fadas.

Lembro com interesse como eu costumava ficar confundido de ver gnomos ligados a árvores e portando asas, mas parece – e o deva o confirma – que estes eram estágios de transição.

Ele explica que depois de passar por esta metamorfose, o gnomo se encontra em uma das famílias de fadas maiores, como as ligadas a árvores ou os tipos maiores de plantas floríferas; raramente, se isto chega a ocorrer alguma vez, ele inicia este novo ciclo de evolução aérea como uma das fadas menores como as que foram fotografadas – pois ele é nitidamente superior a elas na escala evolucionária.

No caso particular que estamos estudando, a ideia parece ser a de trazer o gnomo para um contato com a humanidade tão próximo e constante quanto possível; o deva acrescenta “numa atmosfera onde atuam influências ocultas”. Em outras palavras, ele está fazendo uso do fato de sermos estudantes de Teosofia e do elo que todo membro da Sociedade Teosófica tem com a hierarquia oculta que governa o mundo.

Ele diz que as mudanças produzidas ocorreram em cerca de quatorze (14) meses, e que ele começou a experiência no início do ano passado. Ele também põe o gnomo em contato frequente com nosso jardineiro, e vejo que o gnomo o segue por aí e brinca por perto dele enquanto ele trabalha. Ainda que todo o caso tenha um lado nitidamente humorístico, o deva o toma muito seriamente.

O deva em si é um indivíduo muito reservado e, embora amigável, tende a me considerar como uma parte útil em sua experiência, e mais como um acessório para ela do que como uma pessoa; de seu ponto de vista, toda a vida das fadas do jardim e pomar é afetada em grau considerável pelas vibrações teosóficas provenientes da casa; parece que nossas meditações e práticas de cura enviam influências para o jardim, que ajudam a evolução dos reinos elementais. Isto é o motivo de o deva estar interessado em nós e tentar tirar todo o partido possível de nossa presença aqui. Ele é benévolo, embora peculiarmente distante, sendo interessado quase exclusivamente em seu trabalho sobre seu próprio reino da Natureza. 

Toda esta propriedade de trinta e três (33) acres está inclusa em sua esfera de influência, embora não em sua verdadeira aura. Seu método me recorda aquele empregado pelo deva da floresta de Nateby, descrito em Fairies at Work and at Play (Fadas Trabalhando e Brincando). Ele trabalha principalmente de uma posição central no ar sobre a propriedade, em uma altura de onde ele pode convenientemente manter toda a área sob sua influência. Ele a isolou nos níveis mental, astral e etérico, enclausurando-a dentro de “paredes” construídas pelo poder mental. Ele emprega dois métodos: um é derramar uma influência estimulante geral de seu próprio Ser em toda a propriedade, estabelecendo uma condição para as fadas, similar à que uma estufa provê para plantas; ele também está em contato com fontes de poder espiritual, das quais ele é um canal para seus irmãos mais jovens. O outro método é por uma expansão de sua própria aura, cujas forças ele permite atuarem em várias partes do jardim e sobre diferentes grupos de espíritos da natureza. Ele é um perito neste trabalho, usando sua aura com a mesma facilidade com que usamos nossos membros; ele facilmente cobre um acre de terreno de cada vez, e aumenta seu brilho e densidade, afetando seja o todo, seja parte dele, à vontade.

Embora ele trabalhe nos níveis da forma, sua consciência se estende aos mundos sem forma, onde é visto como um Ser de considerável adiantamento. Ele percorre os três planos até o etérico com grande facilidade, mantendo ao mesmo tempo sua atividade no nível físico, e seu contato com seus pares e superiores. Ele usa seus veículos com tal liberdade, e é tão obviamente mestre em seu trabalho em cada nível, que não parece possível que o livre fluxo de poder e consciência entre o Eu e a personalidade jamais seja rompido ou ameaçado; nisto ele difere consideravelmente de seus irmãos humanos que, em seu reino, estão fazendo esforços correspondentes. O tremendo impedimento de possuir um corpo físico e de ser parcialmente aprisionado nele se torna muito óbvio nesta comparação, e o excessivo efeito limitante e aprisionador do corpo físico denso é percebido quase dolorosamente.

Na consciência dévica não vejo nada que corresponda à dor, desapontamento, depressão, medo, raiva ou desejo; nem há qualquer sinal de tensão, ou daquele intenso esforço que é requerido por nós para sobrepujar a inércia dos planos inferiores; nem ele tem que resistir àqueles apelos da natureza inferior pelos quais o aspirante espiritual humano é frequentemente atribuído. O conteúdo de sua mente parece ser, primariamente, um intenso interesse intelectual em seu trabalho, que se mostra pelo brilhante amarelo dourado, que é a cor predominante em sua aura, o afeto por aqueles a seu cargo se mostrando como rosa, o interesse em seu progresso e a extrema adaptabilidade se mostrando como verde-maçã com lampejos de verde esmeraldino, tudo irradiado por fortes correntes de um branco vívido e incandescente, que representa o ardor de sua natureza, estimulado e suscitado pelas forças superiores para as quais é um canal.

Não é fácil estimar seu tamanho, já que varia muito; quando primeiro o vi esta tarde ele havia descido até estar parcialmente dentro da sala, e então ele pareceu ter cerca de dois metros e meio (2,5m), no que se refere à sua forma verdadeira; mas no ponto a que retornou, tendo liberado as forças áuricas que havia detido temporariamente, ele parece muito maior – talvez três metros e meio (3,5m), enquanto que sua aura se expande até quase 40 metros em toda a volta no nível astral, e de  27 a 40 metros no mental; é mais ou menos ovóide na forma, ainda que sem margens definidas claramente, mas ele pode estendê-la três ou quatro vezes seu tamanho natural, ou fazer que todas as suas forças sejam direcionadas para baixo e para fora para atuarem na área a seu cargo. Ele parece gravitar naturalmente em um ponto cerca de 30 a 40 metros acima do solo. Sou inclinado a pensar por este exame mais detido que ele realmente está interessado em nós, não digo ligado, ao seu modo dévico; pois há um nítido sentimento de seu fraterno reconhecimento de nós, e agora que ele está menos concentrado em seu experimento com o gnomo (que volta e meia ainda fica brincando pela sala), sua formosa e nobre face agora se suaviza em um sorriso; em resposta à minha promessa de ajudá-lo em seu trabalho, de minha maneira humana limitada, ele estende sua mão abençoando, e enche-nos por um momento com sua energia vital.



Fonte: Livro O Reino Das Fadas – Geoffrey Hodson - Primeira Edição em 1927 - The Theosophical Publishing House - (Londres).

Bênçãos!
Namastê!


28 de maio de 2017

SABEDORIA DIVINA DA NATUREZA - EP 04 - CAMOMILA


EPISÓDIO 04

O episódio de hoje está sendo dedicado a uma planta muito conhecida e muito utilizada, a Camomila, encantadora e com propriedades incríveis. Existem relatos sobre o uso da camomila desde os tempos do antigo Egito, em que era usada como sedativo.

Camomila é um dos nomes dados a diversas plantas que possuem flores parecidas com pequenas margaridas. Duas espécies de camomila se destacam por serem as mais cultivadas. São elas: a camomila alemã (Matricaria chamomilla) e a Camomila romana (Chamaemelum nobile ou Anthemis nobilis).



Fitoenergética

É a função do chá relacionada ao poder oculto, ou à energia sutil da planta que atua na alma humana, no campo dos pensamentos, sentimentos, emoções e até no campo espiritual.


Para usar a Fitoenergética, você também precisa saber combinar as plantas de acordo com as suas faixas de frequência e montar um composto com a polaridade correta. Contudo, uma simples oração no momento do preparo já será suficiente para que a fitoenergia seja ativada.


Uma das práticas que mais potencializa o efeito do Chá é o Ritual do Chá, é simples, objetivo e eficiente, conforme consta abaixo a técnica do Bruno J. Gimenes.

Modo de Preparo


> Coloque água quente dentro de uma xícara e pegue  um simples sache de chá comprado em supermercado mesmo.

> Você pode começar ativando com uma oração.


> Depois gire este sache no sentido horário sobre a xícara durante 10 a 30 segundos mantendo uma firme intenção positiva, de luz, cura, amor, saúde e sabedoria. Em seguida, saboreie o seu chá.


Propriedades Medicinais

É especialmente boa para melhorar a digestão, favorecer a expulsão dos gases intestinais, aliviar dores estomacais, evitar náuseas ou vômitos e para o tratamento de outras doenças como cólicas, gastrites, úlceras gástricas, etc.


Isto deve-se à capacidade da camomila para atuar como relaxante muscular e o seu poder anti-inflamatório que pode ajudar a reduzir a inflamação das mucosas do estômago e do intestino. Além disso, torna-se eficaz para aliviar as flatulências ou gases que se acumulam no trato gastrointestinal e, por sua vez, para evitar o vômito.

A camomila também ajuda a baixar os níveis altos de colesterol, pois ao conter a vitamina colina favorece a eliminação de gorduras do sangue. Por este motivo, recomenda-se às pessoas com problemas de colesterol que ingiram menos de duas xícaras diárias desta infusão para o regular e situar dentro dos níveis normais de colesterol.

Outra das propriedades medicinais mais populares da camomila é que ajuda a aliviar as dores menstruais bem como os espasmos que podem ocorrer nos dias anteriores à menstruação. Isto porque a camomila conta com ação estrogênica, as hormonas próprias da mulher, assim como o seu poder calmante.



Confira abaixo algumas opções do chá de Camomila e seus tratamentos.

Chá para acalmar e relaxar

Ingredientes:

2 colheres de chá de flores secas de Camomila.
1 xícara de água.

Modo de preparo:

Em 250 ml de água fervente adicionar as 2 colheres de chá. Tapar, deixar repousar durante cerca de 10 minutos e coar antes de beber. Este chá deve ser bebido 3 vezes por dia, e caso seja necessário pode ser adoçado com uma colher de chá de mel.

Além disso, para aumentar o efeito relaxante e sedativo deste chá pode ser adicionada uma colher de chá de erva-dos-gatos seca e de acordo com indicação do pediatra este chá pode ser usado por bebês e crianças para reduzir a febre, a ansiedade e o nervosismo.

Chá para tratar a má digestão e combater os gases

O chá de Camomila com Erva-doce e raiz de alteia possui uma ação que reduz a inflamação e acalma o estômago, ajudando também a reduzir os gases, a acidez no estômago e a regularizar o intestino.

Ingredientes:

1 colher de chá de Camomila seca;
1 colher de chá de sementes de Erva-doce;
1 colher de chá de mil-folhas;
1 colher de chá de raiz de alteia picada;
1 colher de chá de filipêndula;
500 ml de água fervente.

Modo de preparo:


A 500 ml de água fervente adicionar a mistura e tapar. Deixar repousar durante cerca de 5 minutos e coar antes de beber. Este chá deve ser bebido 2 a 3 vezes por dia ou sempre que for necessário.



Chá de Camomila para refrescar os olhos cansados e inchados

O chá de Camomila seca com sementes de funcho esmagadas e com flor de Sabugueiro seca quando aplicado nos olhos ajuda refrescar e a reduzir o seu inchaço.

Ingredientes:

1 colher de sopa de Camomila seca;
1 colher de sopa de sementes de funcho esmagadas;
1 colher de sopa de sabugueiro seca;
500 mL de água fervente.

Modo de preparo:

A 500 ml de água fervente adicionar a mistura e tapar. Deixar repousar durante cerca de 10 minutos, coar e colocar no frigorifico.

Este chá deve ser aplicado nos olhos usando uma flanela umedecida, aplicada sobre os olhos fechados durante 10 minutos sempre que for necessário. Além disso, este chá também pode ser usado para ajudar a tratar infecções vaginais, para acalmar e reduzir a inflamação da pele em casos de irritação, eczemas ou picadas de insectos ou pode ainda ser usado para tratar a psoríase.

Chá de Camomila para acalmar a dor de garganta

O chá de Camomila seca também pode ser usado para ajudar a acalmar a dor da garganta irritada e inflamada, devido ás suas propriedades que reduzem a inflamação.

Ingredientes:

1 colher de chá de flores secas de Camomila;
1 xícara de água fervente.

Modo de preparo:


Adicionar a Camomila a uma xícara com água fervente e deixar repousar até esfriar. Este chá deve ser usado para gargarejar a garganta, e pode ser usado sempre que necessário. Além disso, também pode ser usado para facilitar a cicatrização de gengivites e de estomatites.


Chá para acalmar o enjoo

O chá de Camomila seca com framboesa ou hortelã-pimenta ajuda a aliviar a náusea e o enjoo.

Ingredientes:

1 colher de chá de Camomila seca;
1 colher de chá de folhas secas de Hortelã-pimenta ou Framboesa;
1 xícara de água fervente.

Modo de preparo:

Adicionar a mistura a uma xícara de chá com água fervente. Tapar, deixar repousar durante cerca de 10 minutos e coar antes de beber. Este chá pode ser bebido 3 vezes por dia ou de acordo com a necessidade, porém não deve ser tomado por grávidas sem orientação do médico.

Chá para aliviar os sintomas de gripe e resfriado

O chá de Camomila seca ajuda a aliviar os sintomas da sinusite, inflamações no nariz e de gripes e resfriados, devido as suas propriedades que reduzem a inflamação.

Ingredientes:

6 colheres de chá de flores de Camomila;
2 litros de água fervente.

Modo de preparo:

Adicionar as flores secas a 1 a 2 litros de água fervente, tapar e deixar repousar durante cerca de 5 minutos.
O vapor do chá deve ser inalado profundamente durante cerca de 10 minutos e para um melhor resultado deve colocar o rosto sobre a taça e cobrir a cabeça com uma toalha grande.


Além disso a camomila pode ser utilizada em outras formas além do chá, como na forma de creme ou pomada, óleo essencial, loção ou tintura.


CONTRAINDICAÇÕES

O único real inconveniente de camomila é em caso de hipersensibilidade ou alergia à planta. Alguns médicos desaconselham o seu uso durante a gravidez, pois pode causar contrações prematuras. A dose adquirida porém para chegar a este efeito, deve ser muito alta, portanto, mesmo as grávidas que optam por utilizar o chá de camomila esporadicamente, devem ficar atentas para não exagerarem na dose.


O uso em crianças deve respeitar as doses recomendadas pelo pediatra, porque além de um certo limiar, a camomila pode conseguir exatamente um efeito oposto e fazer com que a criança fique nervosa e tenha dificuldades para adormecer.


Fonte: http://www.luzdaserra.com.br/cha-de-camomila-poderes-ocultos-e-funcao-fitoenergetica

https://www.tuasaude.com/beneficios-do-cha-de-camomila/

https://saude.umcomo.com.br/artigo/quais-sao-as-propriedades-medicinais-da-camomila-5129.html

https://www.greenme.com.br/viver/saude-e-bem-estar/2698-camomila-propriedades-usos-e-contraindicacoes

Colaboração: Tania Campos, Daniele Schutz, Nicole Fontana.
Bênçãos!
Namastê!


26 de maio de 2017

UM CÍRCULO DRUIDA - RELATO POR GEOFFREY HODSON



Agosto de 1922.


(Enquanto eu tentava estudar os habitantes fantásticos da região do Lago Inglês, fiz uma visita ao Círculo dos Druidas, próximo a Keswick. Os acontecimentos relatados a seguir pareciam estar impressos de modo tão indelével no lugar, que optei por descrever aqueles mais ao alcance da minha visão, em vez de estudar a vida fantástica que normalmente se encontra na região.)

“Trata-se de um círculo druida completo, formado por pedras separadas, cuja altura varia de 30cm a 2m, cercado de montanhas por todos os lados, exceto ao Leste.
Contra o fundo das muitas cenas estranhas que se desenrolam ante o olho interior, destaca-se vivamente a poderosa influência que sobre o lugar exerce a personalidade de um homem. Figura grandiosa, sacerdote, guia e curandeiro de seu povo, ele se sobressai, como um daqueles vigorosos heróis da antiguidade que encontramos nas histórias do passado.

A sua estatura é superior à média, a sua figura é imponente e respeitável, com longas barbas e cabelos que, recentemente, se tornaram totalmente brancos; veste um traje de peça única que chega até os pés, algo parecido com o sobrepeliz (um sobretudo talvez) dos dias de hoje.

De onde estamos sentados, eu vejo de pé no interior do círculo de pedras; atrás dele, acha-se um grupo de sacerdotes vestidos como ele. Desfraldada no topo dos altos rochedos, vê-se uma bandeira do branco mais alvo, em que está bordada uma serpente dourada. Uma grande concentração de pessoas permanece a certa distância do círculo externo, como se aguardassem um sinal. O sumo-sacerdote, que evidentemente é um mestre na magia, ergue os braços para os céus, alça os olhos e emite um forte grito. Inúmeros devas, das mais variadas espécies, pairam no ar, e, a seu chamado, uns seis ou sete entre os maiores formam um círculo acima de sua cabeça, a cerca de 25 a 30m de altura; suas mãos se encontram num ponto acima da cabeça do sumo-sacerdote e então se origina o fogo, cuja materialização torna-o visível para a visão física.

Um dado relevante acerca desses devas maiores é que todos trazem uma coroa na cabeça, feita de uma cinta de ouro na qual estão incrustadas pedras preciosas de um brilho deslumbrante; a certos intervalos, esta cinta se estende em pontas para cima, sendo que as maiores se formam por sobre a testa.

O fogo baixa ao altar de pedra defronte ao sumo-sacerdote e arde sem combustível visível. Os outros sacerdotes formam, então, dois grupos e marcham na direção do altar, entoando baixinho um hino um tanto gutural. Os participantes se distribuem em filas voltadas para cada uma das três entradas, ao Norte, Sul, e Oeste, e então marcam para o centro do círculo, onde chegam quase a se encontrar, deixando uma extensa área desimpedida. O sacerdote e os participante, à exceção do sumo-sacerdote, prestam então suas homenagens ao fogo; estendem os braços para a frente e baixa a cabeça, assim permanecendo, enquanto uma longa prece é dita pelo sumo-sacerdote. Um poderoso cinturão magnético estende-se, então, em volta do círculo, cujos efeitos ainda hoje são sentidos, produzindo um isolamento tão forte, do ponto de vista ocultista, quando aquele proporcionado pela solidez de um templo. Enquanto os participantes continuam de cabeça baixa, os devas descem até eles e uma força, algo como uma descarga de relâmpago, manifesta-se sob a forma de uma imensa cruz em suas costas.


Os espaços existentes entre os braços da cruz são ocupados por espíritos da Natureza menores, alguns dos quais atuam como obreiros, sustentando o fluxo de energia ao longo das linhas da cruz, enquanto outros, aparentemente, fazem parte da congregação, tal qual os seres humanos.

O sacerdote naturalmente tem consciência da presença de uma poderosa entidade espiritual, a quem são dirigidas suas preces e de quem, aparentemente, chega uma resposta. Tal entidade pode ser um nirmanakaya (“senhores da compaixão”, que sacrificam sua beatitude, nirvana, a fim de auxiliar a humanidade, Glossário de Hoult) ou um deva superior, sendo que a fonte da qual emanam as forças e sobre a qual a entidade zela parece estar localizada nas alturas, exatamente sobre o templo.

Os resultados da prece são notáveis: o próprio céu parece abrir-se, e um poderoso fluxo de energia se derrama para dentro do quadrado central formado pelas três fileiras de participantes e pelo altar. Os participantes agora se mantém de pé e a atividade dos devas intensifica-se, com o objetivo de que o máximo dessa força atinja as pessoas, com um mínimo de desperdício e perdas. O fluxo que vem do alto continua ainda por algum tempo, formando um verdadeiro pilar de energia viva, algo cujo aspecto custa-me descrever, pois que as minhas palavras seguramente não chegam para tanto. A descrição mais aproximada que posso oferecer é compará-lo a uma madrepérola em estado líquido, uma lava incandescente e opalescente, tingida por um certo matiz rosa. Ela penetra bem fundo no chão e torna a reaparecer à superfície para então se projetar nas alturas, fora do alcance de minha visão. O sumo-sacerdote, bem como alguns dos sacerdotes, consegue divisá-la claramente; todos os participantes sentem a sua presença, mas poucos a enxergam. A atitude de todos denota um grande respeito, tanto da mente como do corpo, compenetrando-se da natureza sagrada do evento.

A um sinal do sumo-sacerdote, um certo número de pessoas velhas e enfermas se dirige ou é carregada até os espaços existentes entre os braços da cruz formada pela congregação, e daí para o seu interior; os que mal se aguentam em pé são deixados sobre a relva, ao lado do pilar formado pelo fluxo de energias. Faz frio, o que parece aumentar o sofrimento dos doentes mais idosos. No entanto, a posição por eles ocupada agora causa uma sensível melhora no seu estado. Vejo erguer-se um homem, velho e decrépito, que fora deixado na extremidade norte do quadrado, apoiando-se sobre o cotovelo direito na extremidade norte do quadrado, apoiando-se sobre o cotovelo direito e estendendo a mão esquerda na direção do pilar, como se procurasse aquecer-se ao fogo. Uma onda de calor e energia magnética perpassa a sua ossatura, os seus olhos tornam-se brilhantes e, passado algum tempo, ele já se ajoelha e permanece nessa posição, ainda vacilante, mas sensivelmente melhor, tanto de mente como de corpo. Junta as palmas das mãos, formando uma taça na qual um dos sacerdotes despeja um líquido meio amarelado, que o ancião ingere. Muitos outros, homens, mulheres e crianças, recebem esse líquido. As feridas são curadas instantaneamente pelo sumo-sacerdote, que se limita a passar-lhes a mão. Uma poderosa energia emana dele e o seu corpo parece inteiramente iluminado por uma luz dourada; obviamente, ele sabe tudo acerca dos poderes interiores do homem, e o seu toque possui um efeito mágico sobre os pacientes.

Esta parte da cerimônia dura provavelmente 20 ou 30min, e depois dela todas as atenções se voltam para a figura do sumo-sacerdote que, do alto de uma rocha plana, profere uma exortação. Não consigo entender uma só palavra de seu discurso, mas o teor deste parece ser um apelo aos homens, uma incitação a que o povo alcance a sua unidade e independência. Observa-se também a presença de alguns espíritos selvagens e baixos que, embora subjugados no momento pela força do sumo-sacerdote e da cerimônia, não são em absoluto moderados e dóceis quando em meio à devassidão de que procedem.

Tendo concluído a sua exortação, o sumo-sacerdote orienta a multidão numa prece em ação de graças e todos juntos se inclinam respeitosamente por três vezes, tal como na abertura da cerimônia. Na terceira vez, enquanto a multidão permanecia de cabeça baixa, o sumo-sacerdote tornou a olhar para as alturas e a falar; o fluxo de energia que vinha do alto cessou subitamente e o pilar desapareceu. Os participantes, então, viraram-se e, cantando junto com o sumo-sacerdote, deixaram o círculo por onde haviam entrado. Fora do círculo,  quebraram a sua formação original e passaram a aguardar; então, o sumo-sacerdote virou-se na direção do símbolo da serpente e dos outros sacerdotes que estavam em frente a ele, disse algumas palavras e os abençoou, descrevendo rapidamente com as mãos alguns símbolos no espaço, parecendo formar círculos ou espirais, e que se faziam visíveis à medida em que passavam de suas mãos para a aura dos sacerdotes; estendeu os braços na direção deles, para em seguida abri-los, abarcando o grupo.

Os sacerdotes abaixaram-se e um fluxo de energias, vindo do sumo-sacerdote, foi-lhes transmitido, bem como para o estandarte; isso levou um bom tempo, uns dez segundos talvez, durante os quais os sacerdotes foram sacudidos por uma grande exaltação; o estandarte foi então recolhido, e os sacerdotes deixaram o círculo, trocando palavras com os seus conhecidos ou afastando-se em sua companhia, à medida em que todos se dispersavam. O sumo-sacerdote e mais alguns, no entanto, além de certos membros da congregação que pareciam ligados à sua pessoa, desceram a encosta para o Leste, onde havia um grupo de rochas no sopé da colina. Cada um parecia possuir uma cela própria, na qual havia uma cama rústica, feita de terra e turfa. As janelas eram abertas nas paredes e a atmosfera do lugar era positivamente primitiva, embora não fosse desconfortável. Logo após ocupar o seu compartimento, o sumo-sacerdote sentou-se num banco e entrou em transe; parece ter ficado neste estado por muito tempo, pois a sua consciência sem dúvida conseguira desprender-se do corpo.
Toda a região em volta era muito mais selvagem e desolada que hoje, e muitas batalhas foram travadas continuamente em diversas regiões, em razão dos saques realizados por tribos das redondezas. Parece que algumas das feridas curadas durante a cerimônia haviam sido causadas por essas batalhas.

Obviamente, em muitas cerimônias, somente os sacerdotes eram admitidos. Posso vê-los, no interior do círculo, saudando o Sol nascente. Em outra ocasião, a cerimônia estava sendo realizada durante a noite, sob o céu estrelado, e a atenção de todos se voltava para um estrela que brilhava a noroeste, pouco acima da linha do horizonte. Percebo, também, uma espécie de troca de sinais, pois nos cumes do Skiddaw, do Blencathra e do Helvellyn há pessoas cujas atenções estão voltadas para o círculo, de onde se avistam perfeitamente os sinais por eles emitidos. Para isto, serviam-se aparentemente do fogo.

Um sistema de disciplina meditativa era obviamente adotado pelos sacerdotes, alguns dos quais possuíam a faculdade de entrar em transe por suas próprias forças. O templo parece estar em contato magnético com um outro centro da mesma religião, situado muito longe, a sudoeste.
Em períodos mais recentes, quando nada mais restava desse sacerdote senão a sua memória, ele passou a ser adorado quase como uma divindade por sucessivas gerações, que o tinham como guia e fundador de seu templo e sua religião. Um poderoso conhecedor da magia branca é o que ele parece ter sido, bem como mestre e benfeitor de seu povo. Vejo-o, muito depois dessa cerimônia, muito velho, mas ainda perfeitamente aprumado, a cabeça embranquecida, amparado por dois sacerdotes, seguindo lentamente pelo caminho que vai da sua morada até o templo, onde uma grande multidão está reunida. A sua chegada é saudada por um forte grito e por braços erguidos que agitam armas e bastões. A gritaria acaba em burburinho à medida em que ele se aproxima do altar para, em seguida, abençoar a multidão com sua voz fraca, estendendo a mão direita a abanando-a lentamente sobre a massa que se acha no interior do círculo, começando do sul e passando lentamente do oeste para o norte. Todos estão de cabeça baixa; uma perfeita calma toma conta do lugar; quando voltam a erguer os olhos ele já está a caminho de sua morada; olhos inquietos o contemplam, na última vez em que o veem. Uma forte comoção toma conta de todos; alguns irrompem em lágrimas e clamam por ele.
Entre os seus sacerdotes, estão alguns jovens de caráter irrepreensível, a quem ele transmitiu uma grande parte de sua sabedoria mística e em cujas mãos ele deixa a tarefa de levar adiante os cultos e ministério no templo, depois ele os tiver deixado.

Quão diferente é a cena com que nos deparamos agora! O sol se põe com seu dourado esplendor e o sossego da tarde de verão é quebrado apenas pelo chamado estranho e longínquo do maçarico e pelos berros de inúmeros carneirinhos que, ao lado de suas mães, esperam pelo fim do dia, no interior do círculo ou à sua volta. Muito da antiga influência magnética persiste ainda e pode ser sentida; as antigas cerimônias deixaram uma impressão tão forte sobre o lugar, que a sua visão jamais se apaga para o olho interior.

Passados milhões de anos, é a primeira força, autêntica e elevadora, a que perdura de modo indelével sobre o lugar, testemunhando algo da grandeza da religião dos tempos antigos.”



Fonte: Livro O Reino dos Devas e dos Espíritos da Natureza – Geoffrey Hodson. Editora Pensamento. Tradução Hugo Mader.

22 de maio de 2017

MENSAGEM E INVOCAÇÃO DA CONSCIÊNCIA DAS ÁRVORES



Primeiramente, segue abaixo a narração na minha voz da Invocação para se conectar com a Consciência das Árvores e em seguida a mensagem.



Nós estamos em sua presença, tão calma e forte, sem palavras passando entre nós, muitas poucas confirmações sendo feitas e, entretanto, nós estamos como uma energia de suporte para todos na terra.

Nós somos a energia do criador em manifestação na terra. Nós somos os aspectos, a consciência e as qualidades do criador, sempre crescendo e evoluindo, mantendo tudo o que é sagrado e divino da alma do criador.

Nós somos semelhantes a pilares de luz, nutrindo e mantendo a vibração da mãe terra, mas estamos aqui também para auxiliar a humanidade e manter uma riqueza de sabedoria e de conhecimento para compartilhar com vocês.

Nós somos a consciência das árvores, com a presença proeminente da consciência poderosa do carvalho. Nós os honramos, queridos amigos da Terra e lhes pedimos que dediquem um pouco do seu tempo para nos ouvir agora, enquanto compartilhamos com vocês a nossa energia e o nosso amor.

Em cada manifestação de uma árvore a um nível físico, vocês descobrirão vibrações diferentes e a consciência da alma do criador. Em diferentes áreas na terra vocês notarão que as nossas energias variam, a fim de apoiarmos o nosso ambiente e mantermos um equilíbrio na energia da terra.

Se vocês segurassem em suas mãos um ramo, uma folha ou tocassem os nossos troncos ou raízes, vocês sentiriam uma corrente da energia do criador fluindo em seu ser da nossa manifestação.

Ao aprenderem a observar e a sentir a nossa corrente de energia, vocês então serão capazes de acessar a consciência e a sabedoria que cada uma de nós mantém, ligadas diretamente à energia do criador. Vocês poderão descobrir que a nossa energia parece rica em sabedoria, como se ela fosse de um período na terra muito antes que vocês colocassem os seus pés no solo da terra.

A consciência das árvores que está integrada com a luz do criador, mantém a sabedoria e os insights que se estendem desde a criação da terra e mantém as inúmeras verdades do universo e da poderosa alma do criador.

Ao se conectarem com as nossas energias, vocês poderão compreender e aceitar estas verdades, a fim de expandirem a sua consciência e desenvolverem a sua compreensão da cena maior da terra, da sua alma e da alma do criador.


Vocês descobrirão em nossa energia e em nossa luz, um mapa do universo do criador e que somos capazes de transportá-los para diferentes realidades, dimensões e civilizações.
Nós temos muito a compartilhar com vocês e, entretanto, nós sentimos que embora cada pessoa compreenda isto profundamente dentro delas, elas não têm a coragem de avançar e se conectarem com as nossas energias.

Nós devemos explicar que a fim de se conectarem com a consciência pura e verdadeira de nossa energia, vocês devem vir até nós com o coração e a mente abertos, cheios de amor e de uma paz radiante.

Nós temos muitos níveis para a nossa energia, como vocês. Isto é porque estamos na forma física. A vibração menos elevada ou mais lenta de nossa manifestação, pode ser notada como qualidades menos elevadas ou algumas vezes negativas da terra.

Esta não é a nossa verdade e nem é a sua. Somos puros seres de amor de elevada vibração, mas quando a energia é diminuída, pode se tornar estagnada e assim criar a aparência de qualidades negativas, mas estas são simplesmente energias extremas ou exageradas. Quando alguém é capaz de encontrar o seu centro, então ele é capaz de se conectar com a verdade do seu ser e com a verdade do criador, trazendo paz, amor e alegria.

Nós estamos lhes pedindo que venham até nós com a sua verdade, de modo que possamos compartilhar a nossa verdade com vocês. Venham até nós em um estado de paz e de amor e nós abriremos as nossas energias tranquilas, amorosas e sábias para vocês. Vamos nos ligar a um nível que nos permita unir as energias do nosso criador, elevando a nossa vibração e ascendendo a maiores estados de liberdade, expansão e êxtase.

Nós estamos aqui para auxiliá-los de qualquer modo que possamos, e compartilhar com vocês os meios e os métodos para que vocês possam ajudar no desenvolvimento positivo da terra e na ascensão da humanidade.

Há muitos métodos que podem ser colocados em ação pela humanidade a fim de trazer a paz, a harmonia, o equilíbrio e o amor à terra, e isto pode ser acessado a partir de nossa energia, porque na verdade estas idéias estiveram na consciência da terra por muito tempo, apenas a humanidade está escolhendo ignorar o que é essencial e necessário na terra.

Nós, a consciência das árvores, pedimos para que vocês se conectem com a nossa energia,  em meditação em seu próprio espaço ou que se conectem conosco fisicamente, tocando ou se ligando a uma árvore de sua escolha.

Nós desejamos prepará-los para as mudanças que precisam ocorrer dentro de vocês e na terra. Nós desejamos melhorar a sua conexão com a terra e com o criador, de modo que vocês possam existir de um modo similar a nós. Como sustentadores, faróis e âncoras das manifestações sagradas da luz que existem na terra e no universo do criador.

Nós desejamos agir como uma rede de apoio, como âncoras da luz do criador e como curadores para todos. Tudo o que lhes pedimos é que vocês reservem um tempo para se ligarem as nossas energias e se permitirem experienciar a nossa luz, sentindo a sua influência em seu ser. 

Abaixo está uma invocação que pode ser feita se vocês desejarem se conectar com a consciência das árvores, embora não na natureza.

Eu invoco a proteção, a luz e o amor dos meus guias pessoais e do criador. Eu peço que vocês me auxiliem a alcançar um estado de amor em minha mente e coração, enquanto adoto uma existência de paz. Eu sou o amor. Eu sou a paz. Eu invoco agora a luz, o amor e a sabedoria da consciência das árvores da terra e da alma do criador para que ancorem em meu ser, permitindo que a vibração mais apropriada e o nível de energia mais adequado fluam através de mim”.

Eu peço que enquanto eu abrir a minha verdade e o meu amor à consciência das árvores, que eu seja capaz de sentir e de experienciar a confiança e o amor mantidos dentro da consciência das árvores. Permitam-me receber a sabedoria e a energia que eu preciso e que sejam essenciais ao meu crescimento agora na terra. Agradeço-lhes e que assim seja”.

Então, se permitam ficar tranquilamente em um estado de aceitação e paz.

Se desejarem se conectar com a nossa consciência na natureza, então nós pedimos que primeiro se permitam ativar, dentro de vocês, um estado de paz e de amor, irradiando isto abundantemente do seu ser.

Permitam-se ser atraídos para uma árvore, pois cada árvore mantém vibrações diferentes, e assim vocês sentirão um vínculo maior com algumas, mais do que com outras.
Sentem-se ou permaneçam próximos a uma árvore, enviando a sua energia de paz e de amor, e observem se vocês sentem um vínculo ou combinação de energias se formando. Vocês podem perceber que a árvore, experienciando as suas energias, lhes estende a sua luz.

Quando se sentirem preparados, avancem e coloquem uma mão na árvore ou se inclinem contra ela. Peçam aos seus sentidos, que estejam abertos para experienciar a luz, a energia, o amor e a consciência da árvore. É importante que sigam a sua própria orientação e que também estejam alertas a quaisquer pensamentos ou insights que obtenham da árvore.

Vocês podem se comunicar com a árvore. As árvores são naturalmente receptivas ao som ou à vibração de sua voz. Peçam à árvore para permitir que a consciência unificada das árvores flua através de vocês, ou vocês podem pedir à árvore, que os alinhe a um nível mais profundo com a alma do criador. Vocês podem até pedir à árvore que os auxilie na conexão com as energias de sua alma, no seu interior.

Com prática e dedicação uma conexão se formará, e quando se desenvolver uma relação de confiança, vocês receberão a sabedoria necessária e a iluminação para ajudar em sua conexão com a terra e com o criador e para auxiliá-los a apoiar a ascensão da terra e da humanidade.

Gostaríamos também de lembrá-los que até quando vocês segurarem em suas mãos um ramo ou folha, morta ou viva, vocês serão capazes de acessar um determinado nível de consciência durante a meditação.

Nós esperamos que os tenhamos inspirado a manterem a coragem de se conectar com as nossas energias e a honrarem a nossa presença, enquanto permanecemos ao seu lado.

Com o profundo amor do criador, a consciência das árvores.



Canal: Natalie Glasson

Fonte primária: www.wisdomofthelight.com 

Fonte secundária: http://acessandoadivinaluz.webnode.com.br


Tradução: Regina Drummond


Bênçãos! 🍃
Namastê!